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riscos_e_rabiscos

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Revezes Da Vida

         

 

Quando pensamos que a nossa vida está a voltar a entrar nos eixos, eis que um diabinho nos vem soprar ao ouvido que vamos dar uma queda valente. E assim foi.

 

No momento em que parecia que a minha vida maluca sem tempo para nada ia começar a acalmar, volta tudo ao mesmo ponto de partida.

 

Fim-de-semana prolongado, uma esperança de poder descansar um pouco para retemperar forças. O que aconteceu até certo ponto.

Domingo de manhã telefona-me o meu irmão a dizer que a minha mãe está com sintomas de virose e não saía da casa de banho. Fiquei logo preocupada. Aconselhei uma série de medidas que duvido que ela as tenha seguido.

 

À noite a coisa agudizou-se de tal maneira, que teve de ir para o hospital. Algumas duas horas a soro, realização de análises e regresso a casa às cinco e meia da manhã com a receita da medicação e uma dieta rigorosíssima.

 

No dia seguinte, debaixo de uma chuvada valente, procurei a farmácia de serviço mais próxima para aviar a medicação e atacar imediatamente a virose. Passei a tarde a fazer compras e a fazer a comida prescrita na dieta. Cheguei à noite arrasada física e psicologicamente.

 

Voltou tudo ao princípio: tratar da casa, da minha mãe, das comidas para o meu pai, irmão e cão, verificar se ela come e se toma a medicação. Tempo para preparar as minhas aulas? Não existe. Estão completamente descuradas e não tarda nada estou a ser chamada à atenção.

 

Preocupa-me imenso ela não fazer um esforço para comer. Preparei-lhe tudo e mais alguma coisa que ela podia comer. Depois que os nossos pais chegam a uma determinada idade, tornam-se crianças e só fazem o que querem. É o que se passa com a minha mãe que tem um génio do caraças! Teimosaaa…!

 

Preocupa-me ainda o facto de ela ter que ficar sozinha em casa – não posso baldar-me ao trabalho senão sou dispensada – e de nem sequer acender a TV para ver as novelas e os programas brasileiros que ela tanto gosta. Está a entregar-se completamente à virose, a este desânimo. Não está a lutar contra nem a reagir.

 

Que posso eu fazer mais? Ando de rastos. Farto-me de trabalhar aqui em casa mas nada é para a escola. Chego à noite sem alento nenhum para o que quer que seja a não ser arrumar ou fazer comida.

É é claro que, como ando preocupadíssima, só tenho pesadelos, não consigo ter um sono descansado…

 

Estou mesmo a ver que se ela não melhorar, vou ter de a levar de novo ao hospital e ser internada. Se ela cai na fraqueza, então, é que é o fim de tudo.

 

Só vos digo que os meus nervos andam na última nem consigo comer. Como qualquer coisita para não dizer que não como e lá sigo eu de mala às costas para a escola.